Fase 2: Levantamento arquitectónico

Levantamento fotográfico: aspecto da "nave" interior

Levantamento: medições em curso

Levantamento: aspecto geral do interior

O edifício da Porta Nobre teve, como já se sabe, um história recente muito atribulada. Após o último incêndio sobraram pouco mais do que quatro paredes, mas mesmo assim são quatro paredes firmes e sólidas, a partir das quais todo o novo projecto será desenvolvido. Entretanto, confessamos que raramente encontramos ruínas tão belas e românticas quanto estas…

Livro de Plantas

AHMP: Livro de Plantas, f285

No Arquivo Histórico da Câmara Municipal do Porto descobriu-se esta planta que representa a circunvizinhança do nosso prédio. Remete-nos para a organização da malha urbana anterior à década de 70 do século XIX, ou seja, para uma data anterior às demolições que deram origem a Rua Nova da Alfândega. A muralha e o casario do lado ocidental, como quem vai para Miragaia a partir da Rua dos Ingleses, ainda estão de pé. O quarteirão onde se localiza a nossa intervenção está praticamente definido, faltando apenas a Travessa do Outeirinho que virá mais tarde.

Uma vida complicada

A história recente deste edifício tem sido triste. Dois incêndios arrasaram por completo o interior e telhado. Por felicidade, o exterior saiu incólume, tendo sobrevivido, como que por milagre, a passagem e varanda datadas de 1916, bem como todos os alçados, com destaque para o belo alçado principal virado para o Rio Douro. Falamos em “felicidade” e “milagre”, mas na verdade a resiliência demonstrada por esta edificação deve-se a duas razões muito objectivas: à intervenção eficaz dos bombeiros e à qualidade superior da sua construção.

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PÚBLICO, 06.08.2008

(OBS: esta foto de Pereira Lopes é bem ilustrativa…)

Um incêndio destruiu hoje parcialmente um restaurante na Zona Histórica do Porto, causando apenas danos materiais, disse fonte do Batalhão de Sapadores Bombeiros do Porto.

O sinistro declarou-se às 19h34 na cozinha do restaurante “Simbiose”, no nº 133 da Rua Nova da Alfândega, num prédio de construção muito antiga. Os Sapadores Bombeiros do Porto compareceram imediatamente no local, com 23 homens e cinco viaturas, tendo o fogo sido controlado “muito rapidamente”.

“Estamos agora a proceder ao rescaldo, o que temos fazer com muita cautela porque se trata de um edifício muito antigo, com estrutura de madeira, o que obriga a deitar muita água para garantir que não há reacendimento”, acrescentou o responsável da equipa de serviço, chefe Guilhermino.

A mesma fonte adiantou que a operação de rescaldo deverá terminar cerca das 21h00, tendo alguns dos elementos que combateram o incêndio já regressado ao quartel. Contudo, ainda não foi ainda estabelecida a causa do incêndio

PÚBLICO, 18.01.2011

(OBS: Para ler a notícia na íntegra, siga o link)

Incêndio de Janeiro de 2011 (in PÚBLICO)

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Caro leitor,

Ao sexto Diário de Obra resolvemos ir um pouco mais longe. Este blog d’obra será também um blog de projecto, ou seja, servirá também para partilhar o processo complexo de desenvolvimento de uma proposta de reabilitação. Um diário é sempre um registo íntimo e pessoal, mesmo que esse diário seja de um projecto e de uma obra de reabilitação, tarefas por definição colectivas. Invertemos a lógica do diário porque consideramos que as intervenções no Património (e ainda mais Património da Humanidade) dizem respeito a todos e que, por isso, devem ser o mais transparentes e abertas possível. Como se sabe, no domínio da reabilitação urbana, não existem soluções perfeitas. Todas as escolhas implicam ganhos e perdas. Resta-nos que estas sejam honestas e informadas. Abrir o processo criativo e técnico à crítica dos pares e da comunidade em geral, não será apenas em obediência a um imperativo moral, mas também porque acreditamos que esta será a melhor maneira de garantir a eficácia e equilíbrio de um projecto desta natureza.

Seja bem-vindo e não deixe de participar.

Adriana Floret
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